A Oração de Yeshe Tsogyal


“Que eu possa levar até o expoente máximo
a sabedoria, o amor e o poder,
e assim alcançar o despertar perfeito!
E que todos os seres que vagueiam
pelos seis reinos,
esse imenso oceano de sofrimento do saṃsāra,
se libertem e rapidamente cheguem
à verdadeira e perfeita iluminação!”
Yeshe Tsogyal
em “A Oração de Yeshe Tsogyal”
Estes versos encerram A Oração de Yeshe Tsogyal (Mahā Guru Söldeb), a aspiração que Yeshe Tsogyal dirigiu a Guru Padmasambhava no instante em que ele deixava o Tibete rumo ao sudoeste, à terra dos rākṣasas. No alto do desfiladeiro de Gung-thang, em Mang-yul, ela prostrou-se, circundou-o e, pousando os pés do mestre sobre a própria cabeça, formulou este voto; foram as suas últimas palavras a ele, plenas de devoção e de saudade.
Yeshe Tsogyal (século VIII) foi a principal discípula e companheira tibetana de Padmasambhava, venerada como uma buda em forma feminina. Ao lado do mestre, escondeu incontáveis termas, os tesouros do Dharma destinados a reaparecer no tempo certo.
Séculos mais tarde, coube a Pema Lingpa (1450–1521) – grande tertön butanês e um dos cinco reis reveladores de tesouros da escola Nyingma – trazer esta prece de volta à luz: revelou-a de uma rocha com a forma de uma face de leão, no vale das plantas medicinais de Lhodrak. Recitada até hoje pelos praticantes, diz-se que Kyabje Dudjom Rinpoche a pronunciava ao final de cada sessão de prática.
Tradução do tibetano: Grupo de Tradução Padmakara, ramo lusófono.

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